Netanyahu promete afastar radical Ben Gvir da Segurança e Defesa
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu hoje afastar o político radical Itamar Ben Gvir da pasta que ocupa no atual governo, a Segurança Nacional, e também da Defesa, num executivo saído das próximas eleições.
Num evento na cidade israelita de Acre noticiado pelo `Times of Israel`, Netanyahu rejeitou que Ben Gvir venha a assumir a pasta da Defesa e garantiu que o partido Likud assumirá o controlo do ministério que o político radical atualmente dirige, o da Segurança Nacional.
Partiu do Presidente, Isaac Herzog, a sugestão de que Ben Gvir, ligado aos setores mais radicais da sociedade e conhecido pelas suas afirmações inflamatórias sobre os palestinianos e árabes, não deveria assumir a pasta da Defesa.
O líder do partido extremista Poder Judaico reagiu às afirmações de Netanyahu num comunicado, acusando o partido Likud de estar a preparar uma coligação com o antigo chefe do Exército e líder do partido Yasar, Gadi Eisenkot, que lidera as sondagens.
«Tudo isto reforça a conclusão de que foi tomada a decisão de expulsar os ministros Ben-Gvir e Otzma Yehudit da coligação, substituí-los por Eisenkot e entregar estas pastas à esquerda», afirmou o partido radical.
O jornal `Israel Hayom` noticiou entretanto que os Estados Unidos defendiam uma solução pós-eleitoral Netanyahu-Eisenkot, levando o embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, a afirmar que tal "é absolutamente falso".
"O Governo dos Estados Unidos não está a tentar manipular as eleições de Israel nem a dizer ao primeiro-ministro o que fazer. Ponto final", concluiu o diplomata.
A votação para as eleições legislativas em Israel, marcadas para 27 de outubro, começou hoje em quase 100 países, incluindo em Portugal, embora apenas reservada ao pessoal diplomático e familiares.
Segundo a imprensa israelita, o período de votação antecipada para cerca de 4.800 funcionários diplomáticos e familiares decorre ao longo do dia de hoje em 101 assembleias de voto em 99 representações de Israel espalhadas pelo mundo.
O voto por correspondência de cidadãos israelitas no exterior não é permitido, exceto para o pessoal diplomático.
No dia da votação, os eleitores israelitas no exterior têm sido incentivados a deslocar-se a Israel expressamente para votar.
A Aid Coalition, uma organização não-governamental sediada nos Estados Unidos, tem apoiado a logística deste processo, de modo a que cerca de 50 mil eleitores possam estar em Israel no dia 27.
Na próxima semana, os militares destacados no estrangeiro podem também começar a votar.
As próximas legislativas são uma das mais incertas de sempre, com a generalidade das sondagens a atribuir ligeira vantagem ao partido Yashar, do ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, à frente do Likud, do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
Qualquer um dos dois candidatos está porém aquém dos 61 deputados que permitem o controlo do Knesset (parlamento), mesmo com alianças do bloco pró-governamental ou de oposição.
Os partidos árabes podem conseguir até quase 20 lugares no Knesset, segundo as sondagens.